COMO se come é tão (ou mais) importante como O QUE se come

Hoje, fala-se tanto desta epidemia de obesidade infantil que isso assusta todos os pais (e até filhos).
  Dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – revelaram aumento da obesidade infantil e mostraram que o número de crianças e de adolescentes acima do peso subiu de 4% para 18% em meninos e entre as meninas o salto foi de 7,5% para 15,5%.
  A obesidade é uma doença e um grave problema de saúde pública que envolve fatores genéticos e é especialmente reforçada quando associada a fatores ambientais, sociais e psicológicos. Ou seja, não é simplesmente um problema de gula!
  Sabemos muito sobre os problemas associados à obesidade. E mais, lemos e ouvimos informações suficientes para combatê-la: “Consuma menos gordura, coma tantas porções de carboidratos e não passe de tantas calorias diárias...” Estamos cansados de ler e ouvir isso pelos meios de comunicação, não é mesmo? Em relação à alimentação infantil, nem se fale! São cartilhas com informações variadas sobre alimentação...
  No entanto, escolher uma alimentação saudável não depende apenas do acesso à informação nutricional adequada. A seleção de alimentos tem a ver com as preferências desenvolvidas relacionadas ao prazer, associada ao sabor dos alimentos, as atitudes aprendidas desde muito cedo na família e a muitos outros fatores psicológicos e sociais.
  Claro que é importante se preocupar com a obesidade e é normal desejar boa saúde aos nossos filhos. O problema é que sabe-se muito sobre os perigos de saúde associados à obesidade na infância, mas há pouco entendimento sobre os perigos de colocar as crianças em uma dieta restritiva.
  Dietas e crianças não combinam, pois dietas podem levar as crianças a comerem escondidas e com culpa, afeta negativamente a autoestima (que já deve ser baixa devido ao preconceito e brincadeiras de outras crianças), além de criarem uma relação de conflito com os pais. Corre-se o risco também de transoformar essas crianças em pessoas completamente desconectadas da comida, sem boas memórias afetivas/alimentares e cheias de neuras.
  Ao invés de forçar uma dieta à criança, vale a pena pensar não só na nutrição, mas também no comportamento alimentar como forma de combater e prevenir a obesidade infantil.
 

Veja alguns comportamentos alimentares que podem ajudar:

Refeições em família: 

O ambiente familiar é o local das primeiras experiências com o alimento. As refeições em família tem papel essencial nos hábitos adquiridos na infância e levados para vida adulta. Infelizmente, este hábito em família tem sido deixado de lado. As refeições em torno da mesa, com a família reunida, permite o compartilhar experiências, além de ser um bom momento de observar e acompanhar o comportamento alimentar dos filhos.
  Dados de estudos recentes mostram que os adolescentes que tiveram mais refeições em família tiveram melhores hábitos alimentares, menor IMC, melhores notas na escola, menores taxas de depressão.
  Quando estamos à mesa, comemos mais “comida de verdade”, como frango, macarrão e legumes. O modo de comer também é mais saudável: envolve cozinhar, colocar a mesa e, se possível, compartilhar o momento.
 

Ambiente: 

O que muita gente ainda não se dá conta é de que o ambiente é capaz de decidir o que as pessoas vão comer. O ambiente está a todo tempo colocando em risco a nossa decisão alimentar. Ingere menos calorias quem come com atenção, devagar, em local tranquilo e sem distrações. Hoje, TV, celular, tablet, notebook estão presentes na maioria das refeições e atrapalham o cérebro a entender quando é hora de parar de comer.
 

O papel da escola:

  A escola também deve contribuir com um ambiente agradável e com melhor capacitação para o ensinamento de uma alimentação saudável, além de ofertar opções adequadas nutricionalmente.
Atividades educativas podem ser programadas com o intuito de aproximar a criança da “comida de verdade”, capacitar e incentivar a autonomia alimentar.
As crianças são importantes multiplicadores e formadores de oponião, pois transmite aos seus familiares seus novos conhecimentos esperando uma atitude por parte destes.
 

Atenção à mídia:

  A mídia e suas múltiplas formas estão entre aquelas que mais rapidamente estão assumindo papel central na socialização de crianças e jovens.
A publicidade e a propaganda são técnicas largamente utilizadas pelas empresas para encorajar o consumo de seus produtos. Hoje, há diversas propagandas de alimentos ligadas aos personagens favoritos das crianças ou relacionadas a brindes e brinquedos atrativos.
Atualmente, as crianças gastam muito tempo assistindo televisão (cerca de 3 a 4 horas por dia) e também em computadores e vídeo games. Ou seja, as crianças estão expostas às diversas formas da publicidade, muitas horas por dia!

Dicas Comportamentais:

  • Crie o hábito, pelo menos em uma refeição (almoço ou jantar), em que a família esteja toda reunida na mesa;
  • Evite comentários negativos sobre o peso ou o corpo, não só da criança, mas de qualquer outra pessoa;
  • Não categorize aos alimentos como “bons” ou “ruins”. E também não categorize o jeito de se alimentar como “perfeito” ou como “porcaria”;
  • Estabeleça em casa padrões mais equilibrados, acrescentando legumes e frutas, cozinhando e degustando alimentos, nutrindo o corpo com uma alimentação de qualidade e com alimentos mais verdadeiros;
  • Envolva as crianças nas compras e preparações de refeições;
  • Sirva porções menores e permita a criança a se servir de novo caso esteja com fome ainda. Respeite a fome e saciedade da criança e não force a “raspar o prato” quando ela disser que já está satisfeita;
  • Em casos de recusa de um alimento específico, ofereça-o em outra ocasião e como outra preparação. Não fique insistindo de imediato, pois só acaba criando um ambiente negativo;
  • Tire aparelhos eletrônicos no local da refeição (televisão na cozinha, celulares sob a mesa).
  • Incentive uma autoimagem positiva, ajudando seu filho a descobrir seus talentos e interesses especiais. Não é o peso que determina quem ele é!
Referências: GENTA   Publicado em 03/12/21